Por Quê o Povo se Cala?

Os Mass Media tendem a tornar prioridade as opiniões dominantes

Muitos acreditam que a manipulação de notícias por parte dos profissionais jornalistas é uma prática comum, entretanto ignoram o facto de que toda informação necessita de fonte (mesmo a imprensa cor de rosa) e que ela tem grande influência sobre o resultado final da peça. Dirigentes de “classes hegemônicas” ou “grupos de poder” apresentam, quase sempre, opiniões institucionalizadas a posicionar-se no jogo xadrez como Opinion Makers.

Já a massa, na qualidade de audiência, é quem por fim define o rumo da notícia, filtrada anteriormente pelo diferencial de conhecimento. Os detentores da informação, os Opinion Makers, têm apenas o papel de conduzir a notícia de forma a que o resultado final seja o desejado, ou pelo menos o mais perto dele. Haja visto, são os primeiros a serem contactados para prestar declarações.

O diferencial de conhecimento é neste caso um dos factores mais relevantes na posição do tabuleiro. Desde cedo comecei a dar descrédito a ideia de que a força que movia o mundo capitalista ocidental era o dinheiro, seja lá que nome tenha ou de que terra ele vem. Hoje acredito, sem dúvida alguma, que a moeda do mundo é a atenção. Ela é capaz de diferenciar os ricos dos pobres. A atenção é o maior objectivo dos Almost Famous da TV, dos serviços de informação e de tantas outras áreas do saber e do ignorar.

A atenção inicial dada à essas fontes e a busca pela objectividade ajudam na formação das rotinas de trabalho de muitos jornalistas. Por exemplo, se um governante disser que a violência caiu, e variáveis como o seu nível de empatia social influenciarem para o positivo, uma fracção considerável da sociedade tenderá a acreditar, podendo sentir-se protegida, sem em momento algum confirmar ou questionar a existência ou não de dados que comprovem tal facto. Pressões como as da deadline fazem com que os Opinion Makers tornem-se activos nos meios de comunicação.

Contudo, a estreita relação entre estes medias e os grupos de interesses podem gerar o que chamamos na comunicação social de Spiral of Silence. A teoria reza que a maior parte dos indivíduos busca a integração social através da opinião de outros, e procuram expressar-se dentro dos parâmetros da maioria para evitar um possível isolamento.

A opção pelo silêncio ocorre pelo medo da solidão (ou até exclusão) social. A opinião própria ou posicionamento pode ser sufocado por este espiral. Muitos estudiosos acreditam que as vítimas são não somente influenciadas pelo que os outros dizem como também pelo que imaginam que eles possam dizer. Se acharem que suas opiniões podem não ter receptividade no grupo a que querem pertencer, em dada altura, podem optar por silenciar-se.

Os Mass Media tendem a tornar prioridade as opiniões dominantes, consolidando-as e ajudando a calar todas as minorias que isoladas não têm qualquer força. Esse grupo silencioso não se expressa e não tem atenção de quem quer que seja. O resultado deste facto é a distorção da real opinião pública. Podemos tomar como exemplo a política. O que verificamos nas eleições é que a grande parcela das pessoas com poder de voto tende a escolher candidatos líderes das pesquisas, pelo simples facto de eles terem a preferência de um expressivo número de pessoas. Todos movidos pela vontade de ser in.


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